Infelizmente, em Belo Horizonte, o ciclismo urbano não tem sido levado a sério e a bicicleta ainda é mal interpretada como modal de transporte e detentora de direitos e deveres.
Em 2011, a BHTrans assumiu o compromisso de que a cidade, ao término do ano, teria mais de 40km de ciclovias (nesse caso, o ciclovia poderia ser substituída por vias exclusivas para bicicletas). No dia 7 de fevereiro desse ano (2012), o prefeito afirmou que nossa cidade teria 120km de ciclovias. Ao que tudo indica, a construção das novas ciclofaixas é, na verdade, uma corrida contra o tempo para cumprir metas que foram estabelecidas no passado. Uma corrida que tem deixado rastros de incapacidade técnica e poderá deixar rastros de sangue. Faltam menos de dois meses para terminar o ano e, sequer, atingimos os 40km previstos para 2011. Conforme pode ser visto na imagem ao final do texto, nem mesmo a BHTrans sabe quantos kms de ciclovias existem em BH (nesse caso, encara-se ciclovia como qualquer via destinada ao tráfego exclusivo de ciclistas).
A ciclofaixa da rua Rio de Janeiro poderá trazer mais problemas do que soluções. A razão de tal afirmação é simples. Ela foi feita à esquerda dos estacionamentos de veículos. Dessa maneira, os veículos que quiserem estacionar ou sair da vaga terão, necessariamente, que se deslocar pela ciclofaixa. Como todos sabem, os carros precisam de um grande espaço para efetuarem balizas para estacionarem em algum local. Sendo assim, a pintura da ciclofaixa durará muito menos tempo do que se houvesse, nela, fluxo exclusivo de bicicletas e travessia de pedestres.
Outro problema que certamente despertará é a destruição dos olhos-de-gato ou taxões (nome técnico: catadióptrico). Esses objetos foram escolhidos para fazer a distinção entre as ciclofaixas e as ruas/avenidas. No entanto, com o alto fluxo de carros dentro das ciclofaixas, esses objetos serão destruídos pelos automóveis que ali transitam. Tal afirmação advém do exemplo da ciclofaixa da avenida João Pinheiro que, antes de ser inaugurada, já conta com mais de 35 olhos-de-gato destruídos no sentido Afonso Pena -> Praça da Liberdade.
Os problemas não param por aí. Esses mesmos olhos-de-gato podem ser ferramentas de jogar ciclistas no chão. Pela má formulação da ciclofaixa, os ciclistas, ao precisarem desviar de um carro que esteja saindo de uma vaga, terá de mudar sua direção para a esquerda. Assim, dependendo da velocidade e do quão brusca for a manobra de desvio, ele passará por cima dos taxões e, caso não tenha controle sobre a bicicleta, poderá cair no meio da rua.
Como todos sabemos, os motoristas em Belo Horizonte costumam fazer conversões e manobras sem olhar no retrovisor e, mesmo quando o fazem, não têm o hábito de lembrar que existem ciclistas na cidade. Por essa razão, as entradas e saídas das vagas destinadas aos carros no local poderá ser motivo de acidentes com ciclistas.
Lamentavelmente, o maior problema ainda não foi citado. As portas. Quando um carro estaciona, o motorista não tem a prática de olhar para trás e ver se alguém (ciclista/pedestre) está passando. Nessa ciclofaixa, pela ausência de espaço entre as vagas e a pista dos ciclistas, uma porta aberta ocupará quase que a totalidade da ciclofaixa, não deixando muitas opções para o ciclista. Uma delas é frear e tentar não bater na porta e a outra é desviar para a rua, em um gesto abrupto, que poderá gerar um atropelamento ou, ao se passar por cima dos olhos-de-gato, uma queda.
O que se espera de agora em diante é que os ciclistas sejam chamados pela prefeitura e pela BHTrans para discutir os assuntos que dizem respeito à construção de uma cidade mais ciclocidadã, o que não tem sido feito até então.
Ciclista, lembre-se de que você usa apenas o seu corpo para se locomover.
Motorista, lembre-se que existem pessoas se locomovendo com seus corpos pelas ruas.


Guilherme, vejo de uma forma diferente sua opinião. O ciclismo de competição como o de transporte tem muito haver um com o outro. Vou explicar. Usamos para treinar as mesmas vias publicas que é utilizada para transporte. Andamos em grupos grandes ou sozinhos dentro dos limites de competidores e agregados a nós sempre tem muitos que usam a bike para manter a saúde, como é o meu caso ou para transporte do dia a dia. Pensando assim necessitamos de um mínimo de segurança. Concorda? E uma ciclo faixa na Pampulha seria ótimo, desde que não coloquem os tachões que já estão no projeto. O nome já diz tudo Ciclo FAIXA.
Nem todo mundo usa as bikes como transporte e com todo respeito seria inviável em várias situações, só um minoria da minoria usa. Já fui um deles. Hoje em dia se tivéssemos um transporte publico adequado e o brasileiro fosse menos prepotente acredito que teríamos um menor número de carros na rua. No mais tudo isto é pura ideologia e sonho de poucos como nós que tentamos de alguma forma melhorar a situação dos ciclistas. Abraços que que nossa luta contunue e vá galgando sucesso com o tempo.Abraços.
Frango
Guilherme, quando disse sobre ciclismo de competição foi apenas uma maneira de mostrar que lá é o grande reduto dos competidores de BH e se fizerem como estão querendo ficará mais difícil para treinar e quanto aos outros cilistas terão dificuldade com o publico que anda a pé, com certeza.
Sou contra estes tachões, mas é melhor do aqueles paralelepípedos na 12 de outubro.
Exatamente por estar separada por eles, que disse que são ciclovias na rua R.J. Aquilo não é ciclofaixa nem aqui nem na china.
Demerson
Demerson, ela é tão ciclofaixa quanto a da João Pinheiro,mas concordo contigo, os tachões não deveriam estar ali. São perigosos para os ciclistas.
Com relação aos ciclistas competidores/em treino, cada um tem sua luta. Há de se separar o ciclismo esporte do ciclismo transporte. Embora possam conversar, são duas coisas MUITO distintas.
Compreendo e concordo com o texto e seus argumentos. Ainda assim, mantenho-me firme no desejo de que as ciclofaixas continuem sendo criadas, e que novas propostas para os ciclistas e dos ciclisatas sejam avaliadas. Grato. Márcio.
Márcio, também gostaria que mais vias exclusivas para ciclistas fossem criadas,mas não da forma que têm sido feitas atualmente. As novas cicloFAIXAS colocam a vida do ciclista em risco e isso, como todos sabem, é justamente o contrário do que uma via exclusiva para ciclistas tem por função.
Lamentável….
Isso também ocorre na região do Barreiro, principalmente perto da PUC, e pedestres não respeitam a ciclovia e acham que é via de pedestres, ciclistas tem que brigar para sairem da frente, pois pedem licença e não saem. Tem que ser melhor divulgado essa questão, educação nas ruas, juntamente com a BH Trans.
Walder, a educação nas ruas e para as ruas é a parte principal para o início de uma mudança estrutural nas diversas relações que acontecem entre os atores no/do trânsito.
Infelizmente nós que somos de entidades e associações ligadas ao ciclismo, não somos procurados para fazer parte do projeto e quando temos oportunidade de opinar tudo já esta feito.
Outro detalhe há uma diferença entre ciclo faixa e ciclo via.
Na rua Rio de Janeiro tem uma ciclo via e projetada errada devido a forma de estacionar os veículos.
Quanto aos tachões esta correto para ciclo via. No caso de uma ciclo faixa não pode colocar nada, apenas a pintura no chão e tem mais estão pensando em fazer o mesmo na Pampulha e colocar estes tachões.
Acho que a ideia é realmente acabar com o ciclismo de competição, pois lá é o único lugar adequado para treinos de velocidade.
Demerson Furtado Pulis Gomes
Presidente
Liga Mineira de Ciclismo
Demerson, na rua Rio de Janeiro há uma CICLOFAIXA,sim. Ciclovia seria se fosse segredada da via automotiva,mas não é o caso. Concordo que os catadióptricos são mais uma estupidez da prefeitura,mas a existência deles não quer dizer que a ciclofaixa é uma ciclovia.
Com relação à Pampulha, a discussão tem que ser mais aprofundada do que apenas dizer “Acho que a ideia é realmente acabar com o ciclismo de competição”.